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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

PORTUGAL É PORTA DE ENTRADA


PORTUGAL DE OLHOS EM BICO

Um amigo enviou-me um texto do jornalista Carlos Morais José, que foi publicado no jornal de Macau “Hoje Macau”, quando da passada visita de Cavaco Silva à China e que reproduzimos a seguir.
É um texto que sem hesitação assino por baixos todas a afirmações feitas sobre o nosso Cavacal presidente, realçando a particular perspicácia do plumitivo, ao considerar a pose de Cavaco Silva igual à de um manequim da Rua dos Fanqueiros.
Magnífico!!!
Normalmente sempre que o enxergo, na televisão ou nos jornais, a minha atenção salta sistematicamente para o nó da gravata, para ver se consigo descortinar pela primeira vez desde há muitos e muitos anos, qualquer ruga ou irregularidade no caprichado trapézio do nó da gravata ou nos despojos que se lhe seguem.
Já cheguei a propor no meu Blogue (olharaesquerda.blogspot.com) pagar 100 euros a quem me apresente uma imagem, onde tal refinamento não se enxergue, mas ninguém se candidatou!!!
Agora esta de o comparar a um manequim da Rua dos Fanqueiros, é magnífica.
De facto assim parece, se olharmos a pose hírtica, como se tivesse engolido um pau de vassoura, o traje impecável como se tivesse acabado de ser comprado e a sempre irrepreensível gravata, cujo nó lhe deve fazer perder mais tempo, do que a ver o expediente.
Hoje mais do que nunca, tornou-se evidente que a China está a fazer Portugal de ponta de lança para entrar na Europa.
Aqui tem as portas escancaradas, porque a esta canalhada que nos desgoverna, o cheiro do dinheiro, quer seja yuans da China ou patacas de Macau, faz com que se ponham em bicos de pés, para encher os bolsos.
É curioso que a fotografia do Cavaco que acompanhava o texto do jornal de Macau, é muito feliz, pois na expressão dele se adivinha a alegria de quem está a pensar:
Venham…venham…eu quero… eu gosto muito das vossas notas!!!





Eu não vou ou Sei o que fizeste no Verão passado


Tal como o economista Albano Martins e ao contrário do meu colega director do Tribuna de Macau José Rocha Dinis, eu não vou à recepção de Cavaco Silva, na Torre de Macau. Bem me podem desfiar o argumento de que foi legitimamente eleito pelo povo português: pois Hitler também foi eleito legitimamente pelo povo alemão e nada me faria apertar a mão ao bigodudo como não o faria a este homem que tem destruído o meu país desde os anos 80.
Claro que não estou a comparar Cavaco ao ditador alemão mas sim a legitimidade com que chegou ao poder. Logo, tal não é argumento. Que, em termos estéticos, o actual presidente representa o pior de Portugal, com a sua pose salazarenta, o discurso horripilante, o ar de manequim da Rua dos Fanqueiros e o seu passado das Finanças, isso influi muito pouco na minha decisão.
O que me impede de estar na sala com o personagem é de ordem moral e política. Na minha opinião, Cavaco Silva é um dos principais responsáveis pela degradação do país e pelo fenecimento das conquistas de Abril. Ele e, sobretudo, os seus amigos e clique, criminosos encartados, em cujo rol nem sequer falta um homicida. Como posso apertar a mão a semelhante homem?
Maestro da maioria laranja, vendedor do país aos pedaços para gáudio dos que recebem percentagens e benesses, amigo dos bancos que são os principais responsáveis pela crise, este presidente tem sido um cancro na política portuguesa. Não o único, mas um dos mais perigosos, sobretudo porque, ainda por cima, assume uma pose de dama ofendida quando alguém chama a atenção, por exemplo, para os ganhos que usufruiu na compra e venda apressada das acções da famigerada Sociedade Lusa de Negócios, a conselho do seu amigo e secretário de Estado no seu governo Oliveira e Costa, hoje preso
Não terá existido neste caso o crime de acesso a informação privilegiada?
E não me venham com o discurso de que não foi o único culpado e que os tipos do PS também têm culpas no cartório. Claro que têm e por isso é que, entre PSD e PS, uma mão lava a outra. Será que o facto de terem existido outros culpados de algum modo o desculpa? É óbvio que não.
Cavaco Silva era primeiro-ministro quando a União Europeia despejava em Portugal milhões e milhões de euros por ano. Para onde foi o dinheiro? Nesse tempo, a dimensão do Estado cresceu desmesuradamente para albergar e pagar favores ao boys que formaram o Cavaquistão. Foi também nesse tempo que se consolidou a elite de gente que forma um grupo de ociosos, ciosos de fortuna rápida, normalmente à conta do erário público ou dos favores que prestaram às empresas e aos bancos enquanto membros do governo.
Por último: muito mais haveria para dizer mas deixo apenas mais uma – o seu governo nos anos 90, tal como o actual governo de Passos Coelho, demonstrou um enorme desinteresse e mesmo desrespeito pela cultura. Acabou com o respectivo ministério e nomeou Santana Lopes como secretário de Estado. Foi sob as suas ordens que o lamentável sub-secretário Sousa Lara impediu a candidatura de José Saramago ao Prémio Literário Europeu 1992, uma atitude a lembrar a censura fascista e a demonstrar uma total insensibilidade e desconhecimento do que é a cultura. Que respeito posso ter eu por este homem?
Não dá. É que eu sei o que fizeste no Verão passado.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

VENTOS DE MUDANÇA


      O BRASIL ESTÁ A MUDAR      

Há algo de politicamente extraordinário, que está para acontecer no Brasil e não conta com os favores da comunicação social.
Há tempos recebemos a informação que o governo brasileiro tinha criado um veículo legal e juridicamente representativo, que permitia uma nova forma de intervenção da sociedade civil, na administração pública.
Trata-se do designado, Sistema Nacional de Participação Social – SNPS
O SNPS é, digamos, a estrutura legal, criada pelo decreto nº 8.243, de 23 de Maio de 2014, para levar à prática a chamada “Política Nacional de Participação Social a PNPS”
Ou seja, o governo de Dilma Rousseff no sentido de estimular o diálogo e a participação popular, criou uma estrutura organizativa hierarquizada, com figura jurídica, no sentido de aumentar a contribuição da sociedade civil, na administração pública.
O facto de esta iniciativa ter como finalidade acompanhar a formulação, a execução, o monitoramento e a avaliação de programas e políticas públicas, assim como a melhoria da gestão pública, levou a que alguns sectores da direita reflectisse na comunicação social, o desagrado que tal iniciativa lhe causava, argumentando que subjacente à ideia, estão ameaças à democracia e “fumos” de ditadura, o que se atendermos aos objectivos que se pretende alcançar, tornam essas acusações nitidamente tendenciosas e irracionais, considerando os objectivos da decisão serem, nomeadamente:
1 - Estimular a participação participação no processo decisório
2 – Organizazar com caracter peródico de uma confrência nacional, para avaliação, debate e formulação de propostas de gestão pública.
3 – Criação de uma Ouvidoria federal e audiências públicas, como ferramentas de mobilização e participação social. Resta esclarecer que nete plano, uma ouvidoria é um canal de comunicação entre o cidadão e a administração pública, com a finalidade de não só de receber sugestões, reclamações, denúncias, como porventura estímulos e novas sugestões, à participação cada vez mais activa da população.
4 – Defesa de políticas públicas essenciais, para que a consolidação dos Direitos Humanos.
Para já foi determinado que todos os órgãos e entidades da administração pública federal, direta e indireta, elaborem um plano de ação a cada dois anos, para fomentar a participação social.
Quando o decreto recomenda a criação de novos espaços e mecanismos institucionais de interação e acompanhamento, leva-nos a pensar que será possível organizar no Brasil uma instituição, com locais  e infraestruturas que permitam em permanência, a discussão popular, a participação legal, activa, organizada de forma significativamente representativa, para intervir nos problemas da economia, saúde, educação, higiene etc., etc.
Em conclusão, acreditamos que está dado o primeiro passo, para criar no Brasil a organização de um verdadeiro poder popular, uma democracia participativa, permitindo certamente não só um novo patamar de colaboração popular, como a consequente elevação da sua formulação e empenhamento político, na constituição de um Estado Socialista.
Embora os próprios organismos internacionais, tais como o Banco Mundial e a ONU tenham defendido o reforço de práticas democráticas de construção coletiva, a própria Constituição Federal do Brasil contem dispositivos, incentivando a participação direta da comunidade, na gestão dos negócios públicos.
Por tudo isto, julgamos que o Brasil impulsionado certamente deste modo e nesta dimensão, pelas violentas e generalizadas manifestações populares, originadas pelas exageradas despesas com o campeonato Mundial de Futebol, está a levar à prática uma política extremamente positiva, que abre maravilhosas perspetivas na defesa dos interesses da esmagadora maioria da população brasileira.
No Brasil as coisa estão a mudar rapidamente e não foi por acaso, que no Estado do Maranhão, habitual feudo da família de José Sarney, foi eleito governador com 63,52% dos votos válidos, o ex-juiz federal e comunista Flávio Dino, nas eleições do passado domingo. 
Portugal que se cuide!!!!