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quarta-feira, 24 de junho de 2015

SERÁS QUE NÃO ESTAMOS A VOLTAR AO DIA DA RAÇA?


 COMEMORAÇÕES 10 DE JUNHO

Já é um pouco tarde para falar das condecorações que tiveram lugar no dia 10 de Junho, dia de Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, entre as quais a de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, que presumíamos ser atribuível a quem tivesse prestado serviços relevantes a Portugal. 
No entanto, chegou hoje ao nosso conhecimento, que entre as mais ilustres figuras nacionais condecoradas, se encontrava Carlos Gil, um estilista que cuja maior virtude, parece ser o de vestir D.Maria Cavaco Silva, amantíssima esposa e talvez co-autora dos nós de gravata mais requintados e caprichados, que os olhos humanos, alguma vez tiveram a ventura de contemplar e que decoram o cachaço daquele que nunca se engana e raramente tem dúvidas e quis a desgraça que se tornasse o Presidente de Republica de uma residual parte de portugueses.
Pela natureza das toilettes, sempre nos convencemos que a D. Maria era habitual frequentadora da feira de Carcavelos, até nos ter chegado a notícia, que estávamos enganados e havia um responsável pelas suas indumentárias.
Tratava-se de facto desse tal Carlos Gil, que certamente por ser essa a razão primeira, mereceu ser agraciado com a comenda da Ordem Infante D. Henrique, dado o notável esforço potencialmente necessário, para tornar menos ridícula, a elegância da sua rotunda esposa.
O nosso segundo impulso, dada a irracionalidade da comenda, foi investigar se entre os outros galardoados não estaria o proprietário de alguma daquelas vacas, protagonistas daquele ternurento caso, em que se tinha envolvido o cavacal presidente nos Açores. 
Se bem nos recordamos, a sua preciosa capacidade de reconhecer quando uma vaca está a rir, (conseguido certamente a comer toneladas de queijo “La vache qui rit”), tinha descortinado, vacas perdidas de riso ao cofiarem-lhes as tetas para extrair o leite, em consequência da felicidade que se respirava naquele ambiente.
Para quem me lê, deixo a seguir o testemunho do talento derramado por Carlos Gil sobre a roliça D.Maria, não podendo deixar de relacionar a semelhança com a outra D.Maria, que ao serviço de um não menos salazarento político, nunca se atreveu, a exigir uma prebenda ou sinecura, a pesar do esforço que também lhe devia ser exigido, para suportar o peso ou o decúbito dorsal, que o fiel concubinato obrigava.
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domingo, 21 de junho de 2015

QUEM O VIU E QUEM O VÊ!!!! OU MELHOR: QUEM O LIA E QUEM O LÊ



      TIRO O MEU CHAPÉU
     PACHECO PEREIRA DIZ 
  O QUE ME APETECIA DIZER
Como está diferente Pacheco Pereira!!!
Como se tornou um prazer ler algo que ele tenha escrito, sem vontade de lhe enviar uma carta aberta de protesto, como uma das que já lhe enviei para o jornal onde ele escrevia.
De resto, a primeira carta aberta ficou particularmente assinalável, porque embora tenha criado este Blogue para publicitar e realçar a extraordinária importância e perenidade para toda a humanidade, do texto “A Sociedade dos dois décimos” (o link encontra-se no cabeçalho do Blogue) a indignação que Pacheco Pereira me causou ao ler o que tinha escrito, tornou suficientemente urgente a resposta e só por isso, teve as honras de ser o primeiro texto deste Blogue em 28 de Fevereiro de 2008.
Nesse texto, indignado com defesa que Pacheco Pereira fazia dos “ocupantes” da Cijordânia, crismada de Israel, fazia uma síntese das razões que ele não tinha. Desde então, os crimes cometidos, comprovaram à exaustão a trágica razão que me assistia.
Não retiraria uma palavra ao que então escrevi, no entanto dada a evolução positiva do autor, julgo que o mesmo não dirá Pacheco Pereira.
Ainda bem!!!
Esta introdução, serve para recordar que não dou de barato a importância que atribuo ao seu artigo, que me foi enviado por um amigo e creio ter sido publicado no "Público".
De facto até tinha começado a escrever algo sobre a ida do rapazola que faz o papel de primeiro-ministro, ao debate parlamentar quinzenal.
Ao ler este texto desisti, porque lá está tudo o que tinha para dizer e mais, melhor dito, do que eu o faria.


Demasiado lampeiros para serem sérios
Por: José Pacheco Pereira
20/06/2015
Então como é? O país está mal ou não está? Está. Então deixem-se de salamaleques politicamente correctos.
A língua portuguesa está cheia de palavras certíssimas para designar quase todas as cambiantes do comportamento humano. Escritores como Vieira, Bernardes, Camilo, Eça e Aquilino, levaram-na tão longe, que em português tudo se pode dizer, todas as infinitas flutuações das pessoas encontram uma ágil palavra para as designar.
Agora que a nossa bela língua está a ser atacada por todos os lados, na sua ortografia, na sua complexidade vocabular, na sua riqueza expressiva, é sempre bom encontrar um refúgio nos falares antigos, ou naqueles que pouco a pouco estão a ser esquecidos por falta de uso. A semana passada falei de “tresvaliar”, palavra de Sá de Miranda, e esta semana Fernando Alves na TSF fez uma crónica sobre “surdir”, palavra usada por Camilo (sempre ele) e Eça, tudo palavras esquecidas.
O que se passa hoje é como se, invisivelmente, se estivesse a realizar uma das funções essenciais que Orwell atribuía ao Big Brother, que era tirar todos os anos algumas palavras de circulação, porque sabia que é mais fácil controlar pessoas cujo vocabulário é restrito e que, por isso, tem dificuldades em expressar-se com clareza e riqueza e, em consequência, dominam menos o mundo em que vivem. O incremento de formas de expressão quase guturais como os SMS e o Twitter, apenas dá expressão a um problema mais de fundo que é desertificação do vocabulário, fruto de pouca leitura, e de um universo mediático muito pobre e estereotipado. Salva-nos o senhor Vice-Primeiro Ministro Portas que anda para aí a dizer que as “exportações estão a bombar”, convencido que ninguém o acha ridículo no seu afã propagandístico. Viva o Big Brother!
Tudo isto vem a propósito da palavra que mais me veio à cabeça – bem sei que uma cabeça muito deformada pelo “ressabiamento” por este governo não me ter dado um cargo qualquer – quando ouvi o debate parlamentar com o Primeiro-ministro na sexta-feira passada. Como ele está lampeiro com a verdade! Lampeiro é a palavra do dia.
Lampeiros com a verdade, neste governo e no anterior, há muitos. Sócrates é sempre o primeiro exemplo, mas Maria Luís Albuquerque partilha com ele a mesma desenvoltura na inverdade, como se diz na Terra dos Eufemismos. E agora Passos deu um curso completo dentro da nova tese de que tudo que se diz que ele disse é um mito urbano. Não existiu. Antes, no tempo do outro, era a ”narrativa”, agora é o “mito urbano”.
Aconselhar os portugueses a emigrar? Nunca, jamais em tempo algum. Bom, talvez tenha dito aos professores, mas os professores não são portugueses inteiros. Bom, talvez tenha dito algo de parecido, mas uma coisa é ser parecido, outra é ser igual. Igual era se eu dissesse “emigrai e multiplicai-vos” e eu não disse isso. Nem ninguém no “meu governo”. Alexandre Mestre era membro do Governo? Parece que sim, secretário de Estado do Desporto e disse: "Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras". Como “sair da sua zona de conforto” é uma das frases preferidas do Primeiro-ministro, e a “zona de conforto” é uma coisa maléfica e preguiçosa, vão-se embora depressa. E Relvas, o seu alter-ego e importante dirigente partidário do PSD de 2015, então ministro, não esteve com meias medidas: “é extraordinariamente positivo” “encontrar [oportunidades] fora do seu país” e ainda por cima, “pode fortalecer a sua formação”. Resumindo e concluindo: “Procurar e desafiar a ambição é sempre extraordinariamente importante". Parece um coro grego de lampeiros.
Continuemos. A crise não atingiu os mais pobres porque “os portugueses com rendimentos mais baixos não foram objecto de cortes”, disse, lampeiro, Passos Coelho. Estou a ouvir bem? Sim, estou. Contestado pela mentirosa afirmação, ele continua a explicar que os cortes no RSI foram apenas cortes na “condição de acesso ao RSI” e um combate à fraude. A saúde? Está de vento em popa, e quem o contraria é o “socialista” que dirige um “observatório” qualquer. Sobre os cortes nos subsídios de desemprego e no complemento solidário de idosos, nem uma palavra, mas são certamente justas medidas para levarem os desempregados e os velhos a saírem da sua “zona de conforto”. Impostos? O IVA não foi aumentado em Portugal, disse Passos Coelho com firmeza. Bom, houve alterações no cabaz de produtos e serviços, mas o IVA, essa coisa conceptual e abstracta, permaneceu sem mudança, foi apenas uma parte. Então a restauração anda toda ao engano, o IVA não aumentou? E na luz, foi um erro da EDP e dos chineses? Lampeiro.
Depois há a Grécia. “Não queremos a Grécia fora do euro” significa, por esta ordem, “queremos derrubar o governo do Syriza”, “queremos o Syriza humilhado a morder o pó das suas promessas eleitorais”, “queremos os gregos a sofrerem mais porque votaram errado e têm que ter consequências”, “queremos a Grécia fora do euro”. O que é que disse pela voz do Presidente? Na Europa “não há excepções”. Há, e muitas. A França por exemplo, que violou o Pacto de Estabilidade. A Alemanha que fez o mesmo. 23 dos 27 países violaram as regras. Consequências? Nenhumas: foi-lhes dado mais tempo para controlar as suas finanças públicas. Mas ninguém tenha dúvidas: nunca nos passou pela cabeça empurrar a Grécia para fora do euro, até porque na Europa “não há excepções”. Lampeiros é o que eles são. Lampeiros
Este tipo de campanha eleitoral é insuportável, e suspeito que vamos ver a coligação a “bombar” este tipo de invenções sem descanso até à boca das urnas. O PS ainda não percebeu em que filme é que está metido. Continuem com falinhas mansas, a fazer vénias para a Europa ver, a chamar “tontos” ao Syriza, a pedir quase por favor um atestado de respeitabilidade aos amigos do governo, a andar a ver fábricas “inovadoras”, feiras de ovelhas e de fumeiro, a pedir certificados de bom comportamento a Marcelo e Marques Mendes, a fazer cartazes sem conteúdo – não tem melhor em que gastar dinheiro? – e vão longe.
Será que não percebem o que se está a passar? Enquanto ninguém disser na cara do senhor Primeiro-ministro ou do homem “irrevogável” dos sete chapéus, ou das outras personagens menores, esta tão simples coisa: “o senhor está a mentir”, e aguentar-se à bronca, a oposição não vai a lado nenhum. Por uma razão muito simples, é que ele está mesmo a mentir e quem não se sente não é filho de boa gente. Mas para isso é preciso mandar pela borda fora os consultores de imagem e de marketing, os assessores, os conselheiros, a corte pomposa dos fiéis e deixar entrar uma lufada de ar fresco de indignação.
Então como é? O país está mal ou não está? Está. Então deixem-se de rituais estandardizados da política de salão e conferência de imprensa, deixem-se de salamaleques politicamente correctos, mostrem que não querem pactuar com o mal que dizem existir e experimentem esse franc parler que tanta falta faz à política portuguesa.
Mas, para isso é preciso aquilo que falta no PS (e não só), que é uma genuína indignação com o que se está a passar. Falta a zanga, a fúria de ver Portugal como está e como pode continuar a estar. Falta a indignação que não é de falsete nem de circunstância, mas que vem do fundo e que, essa sim, arrasta multidões e dá representação aos milhões de portugueses que não se sentem representados no sistema político. Eles são apáticos ou estão apáticos? Não é bem verdade, mas se o fosse, como poderia ser de outra maneira se eles olham para os salões onde se move a política da oposição, e vêm gente acomodada com o que se passa, com medo de parecer “radical”, a debitar frases de circunstância, e que não aprenderam nada e não mudaram nada, nem estão incomodados por dentro, como é que se espera que alguém se mobilize com as sombras das sombras das sombras?
Enquanto isto não for varrido pelo bom vento fresco do mar alto, os lampeiros vão sempre ganhar. As sondagens não me admiram, a dureza e o mal são sempre mais eficazes do que o bem e muito mais eficazes do que os moles e os bonzinhos.


sábado, 20 de junho de 2015

O TRUQUE DAS SONDAGENS


             SONDAGENS
     PARA QUE TE QUERO!!!

Uma das armas mais eficazes e significativas de que os poderes instituídos se servem para manipular as populações, sobretudo em tempo de eleições, são as sondagens de opinião.
Presumidamente “científicas”, mais não são que uma arma, das muitas que a manipulação dispõe, para influenciar as pessoas, no sentido que mais lhes interessa.
Inteligentemente umas vezes, estupidamente a maior parte das vezes, são nestes casos denunciadas como gato escondido com o rabo de fora.
Foi o que aconteceu ontem quando imediatamente após a ida do primeiro-ministro à Assembleia da Republica para o debate quinzenal, foi publicitado o resultado de uma sondagem do sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, que dá a coligação PSD/CDS a ultrapassar o PS nas intenções de voto.
Curiosamente nessa tarde, a SIC Noticias e a TVI 24, ao procurar auscultar a opinião pública sobre a actuação do governo, mais de 50% das intervenções foram de uma violência atroz, contra o governo, a ponto das apresentadoras se verem obrigadas a interromper os programas mais de uma vez, a pedir contenção nas palavras e expressões.
Os restantes, que se pronunciaram de forma mais educadamente contida, estiveram todos eles em sintonia com os mais ferozes críticos.
Curiosamente muitos juntaram o Presidente da República (o sempiterno impecável nó de gravata!), como cúmplice das malfeitorias, embora de facto, nada tivesse a ver com a sessão da Assembleia da Republica, cuja análise era o objecto central dos programas.
De tudo o que ouvi, só um interveniente, timidamente, se limitou a referir em poucos segundos, que o governo não podia ter agido de outra maneira, dada a situação deixada pelo PS.
Até parecia uma opinião encomendada, para amenizar o clima de revolta que se estava a viver, ou então, não sendo o caso, traduzia o ingénuo reflexo da profunda manipulação a que a opinião pública tem estado sujeita, no sentido de culpabilizar o PS de todo o mal que esta canalha que nos está a desgraçar tem feito, ao pretender disfarçar as aldrabices e o uso excessivo que fez das condicionantes do memorando de entendimento feito com a Troika em 17 de Maio de 2011.
Em suma, as sondagens não estão em sintonia com a opinião pública generalizada. Conclusão, a opinião pública é uma e as sondagens dizem que é outra, porque será ???
O problema das sondagens, é que as pessoas não têm escrito na testa, em quem vão votar, nem se conhecem os programas dos partidos, ou até se lhes interessa sequer a política, ou pelo menos, se a opinião formada está de acordo com os seus interesses de classe.
Se assim fosse, bastava os reformados e pensionistas votarem naqueles que melhor defenderiam os seus interesses, para que jamais, a coligação do PSD/CDS chegasse ao poder e o PS ver-se obrigado a modificar o comportamento e a actuar como um partido de esquerda, se porventura pretendesse influenciar o poder.
Mas, na questão das sondagens, tal como em relação à comunicação social, os profissionais que actuam nessas áreas, vêem muitas vezes coartada a sua liberdade de expressão, porque se não actuarem de acordo com as orientações e os interesses do seu patronato, mandatado que é, pelos capitalistas proprietários desses meios, correm o risco de perderem o emprego.
Já não é preciso o celebre lápis azul da censura.
A censura mais eficaz, é a necessidade de sobreviver e ter na mão o destino destes profissionais, neste país onde a memória do 25 de Abril está atravessada na garganta dos capitalistas e o efeito da implosão da União Soviética se está a mostrar trágica para os trabalhadores de todo o mundo.
Tão simples quanto isso.