VITÓRIA DE PIRRO
Depois das eleições europeias a que acabamos de assistir,
fomos “inundados” por alguns dos mais altos dirigentes socialistas, com muitos elogios
à grande vitória do seu partido.
Por outro lado, outros altos dirigentes desse partido,
consideravam a vitória, com uma designação enigmática e altamente redutora, classificando-a
como autêntica “Vitória de Pirro”, camuflando com essa expressão, a sua
profunda desilusão com o caminho que as “coisas” estão a tomar, fruto da sua pequena
expressão, em relação à votação da direita no poder.
O próprio Mário Soares, num artigo publicado no Diário de
Notícias, não se coíbe de mandar recados ao “chefe” do seu partido para se
acautelar, chegando mesmo a utilizar a já gaguejante expressão utilizada
publicamente por múltiplos e destacados militantes socialistas, que afirmam ser
aquela uma “Vitória de Pirro”.
Ora, entendendo que infelizmente, haverá no que resta deste
país (visto que uma parte significativa da juventude mais culta, já o abandonou),
muita gente, por virtude da criminosa política levada a cabo depois do 25 de
Novembro de 1975, não ter acesso a uma suficiente cultura histórica, que lhe
permitisse saber o significado de tal expressão, recorremos à “Wikipédia”, para
de uma forma precisa e resumida, esclarecer o seu simbolismo.
Nela se pode ler:
“Esta expressão não se
utiliza apenas em contexto militar, mas também está, por analogia, ligada a
atividades como economia, política, justiça, literatura e desporto para
descrever luta similar, prejudicial ao vencedor”
“Os exércitos se
separaram; e, diz-se, Pirro teria respondido a um indivíduo que lhe demonstrou
alegria pela vitória que "uma outra vitória como esta o arruinaria
completamente". Pois ele havia perdido uma parte enorme das forças que
trouxera consigo, e quase todos os seus amigos íntimos e principais
comandantes; não havia outros homens para formar novos recrutas, e encontrou
seus aliados na Itália recuando. Por outro lado, como que numa fonte
constantemente fluindo para fora da cidade, o acampamento romano era preenchido
rápida e abundantemente por novos recrutas, todos sem deixar sua coragem ser
abatida pela perda que sofreram, mas sim extraindo de sua própria ira nova
força e resolução para seguir adiante com a guerra”.
É evidente para qualquer observador, o triste resultado
obtido é, ou pelo menos deveria ser, para
as hostes de militantes socialistas, motivo de grande preocupação.
Se os actuais dirigentes não arrepiarem caminho ou em
desespero de causa, não forem substituídos, as próximas eleições serão de
certeza, um desastre para os socialistas, na medida em que o governo irá começar
desde já a preparar as próximas eleições legislativas e a um ano e tal de
distância, terá todo o tempo do mundo e todos os trunfos para, demagogicamente,
criar espectativas que lhe permitam ganhar essas eleições.
Nesse sentido, não podemos esquecer que não só a senhora
Merkel como a Comissão Europeia, com o susto que estão a apanhar, tudo irão
fazer para facilitar para iludir a situação e com isso, aproveitará o governo e
nomeadamente os partidos da coligação, para “fazerem a cama” às pretensões do
Partido Socialista.
A questão de poderem vir a contar com uma boa ajuda das
entidades europeias, baseia-se no facto de neste momento estarem “borradas” de
preocupações, com o fim previsível, da continuidade dos seus tachos e sobretudo
pela notória subida da extrema-direita, das forças fascistas e fascizantes, e dos
eurocépticos da Europa, nomeadamente França, Polónia, Áustria, Hungria e
Inglaterra, sendo que nesta perspetiva, não podemos abdicar de juntar o que se está
a passar na Ucrânia, como a cereja no cimo do bolo, que simbolicamente festeja
a direita, pelo seu sucesso.
Coerentemente tínhamos ouvido António Costa no programa “A
Quadratura do Círculo” colocar sensatamente “água na fervura”, e reduzir esse
entusiasmo, á relatividade do sucesso a que na realidade acabávamos de assistir
ao dizer:
"Partilho com
todos os socialistas a alegria da vitória e a preocupação de à derrota
histórica da direita não ter correspondido uma vitória histórica do PS".
Para além disso, tivemos hoje conhecimento de um artigo de
opinião de Mário Soares saído no Diário de Noticias, que a páginas tantas apela
à união da esquerda, esquecendo o que quatro meses depois do 25 de Abril de
1975 já andava a conspirar contra o governo revolucionário para dividir a
esquerda portuguesa (como ele próprio confessou há pouco tempo!).
Agora que tem o rabo a arder, já vai dizendo:
"É preciso que o
PS tente cooperar com toda a esquerda que o queira, de igual para igual".
Mais adiante lança o apelo a Cavaco Silva:
"O Presidente da
República está a pouco tempo de ainda poder resolver, em parte, o mal que este
Governo tem feito a Portugal e aos portugueses, só pensando nos mercados e
ignorando completamente as pessoas".
E a seguir acrescenta Mário Soares:
"é preciso que o
demita antes". "Se não o fizer, terá um péssimo fim. Quem o avisa,
seu amigo é".
Aqui para nós, quem tem amigos deste não precisa de
inimigos!!!
Por outro lado, na pessoa de Vitor Ramalho, um dos mais
destacados elementos da sua “corte” (Clique AQUI, para ouvir o seu depoimento),
acha que só uma profunda reflexão a ser feita no interior do Partido Socialista,
poderá salvar aquele partido nas próximas eleições.
De referir que ao mesmo tempo que apela à reflexão, vai
astutamente acautelando o seu discurso, dando uma picadela anticomunista na
forma como são escolhidos os dirigentes comunistas, o que indicia poucas
esperanças se poderem vir a criar boas relações com o Partido Comunista, independentemente
da grande lição que o povo lhes deu, no sentido de passarem a ser um verdadeiro
Partido Socialista, respeitador da sua linha ideológica, “a cada um segundo o
que produz” e deixar de tentar debilitar o Partido Comunista, aliando-se sistematicamente
à direita.
A acrescentar nuvens negras a este clima anticomunista da
direcção do Partido Socialista, os temos as ferozes e irracionais das intervenções
de outros dirigentes, tais como a deputada Ana Gomes no programa da televisão “Prós
e Contras”, (se quiser ter a paciência de a ouvir clique AQUI) que vomitou demagogia anticomunista, contra a brilhante intervenção
do deputado do Partido Comunista Português João Ferreira, quando este denunciou
as votações cúmplices do PS com a direita, levadas a cabo no Parlamente Europeu,
contra propostas do PCP, que defendiam os interesses das classes trabalhadoras.
Essa cumplicidade também foi protagonizada pela moderadora
do programa Fátima Campos Ferreira, que interrompeu desabridamente e mandou calar
o deputado do PCP, quando este, a título de responder a Ana Gomes sobre a habitual
acusação do PCP se ter aliado à direita na votação do célebre PEC IV, descrevia
o rol de medidas que nele constavam e que por sinal, eram em tudo semelhantes às
medidas do governo da coligação tem tomado, no sentido de destruir o Estado Social.
Hoje quase toda a imprensa denúncia o ambiente de facas
longas que se está a gerar à volta à cúpula Socialista e embora longe de termos
alguma esperança que resultem, estamos com a voz do povo quando diz que “tantas
vezes vai o cântaro à fonte“ ou em alternativa “a esperança é a última a morrer”.
Como é comatoso o estado em que Portugal se encontra,
mantenhamos a espectativa que finalmente serão corridos da Direcção do Partido
Socialista os radicais anti-comunistas.
Que se possa finalmente contar com um verdadeiro Partido
Socialista, em aliança com as forças populares onde o Partido Comunista desde
sempre se integra e traga a este povo, que bem o merece, as expectativas não só
de uma verdadeira regeneração política, como também uma reformulação dos meios
de comunicação social, que façam da verdade o veículo que una todos os
portugueses, na concretização das espectativas que o 25 de Abril criou e que
são desde sempre, o fundamento da luta dos comunistas.
VIVA O 25 DE ABRIL !!!!