Mensagem

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domingo, 7 de dezembro de 2014


PASSOS COELHO SOFRE DE GONGORISMO

Passos Coelho disse na passada sexta-feira, em Santarém, que que "os donos do país estão a desaparecer".
É bem verdade! O que admira é ser o próprio algoz a ter o descaramento de dizê-lo. 
É caso para lembrar o velho ditado “Com a verdade me enganas”, ou na versão neo-liberal, "com a verdade me pretendes enganar"
Bastaria ver a quantidade de gente que se vê obrigada a ir procurar fora daqui, o direito a uma sobrevivência digna, para perceber que o povo português, que são na realidade os donos de Portugal, por causa da canalha que nos governa, se vêm obrigados a abandonar o território que é seu.
Mais adiante afirmou Passos Coelho: 
“É bem visível que a economia "estava aprisionada por grupos económicos que eram incentivados pelo Estado a aplicar os seus recursos em obras públicas que não eram sustentáveis", lamentando que muitos recursos, nacionais e europeus, tenham sido colocados ao serviço "dessa economia protegida" e não das pequenas empresas que tinham emprego e riqueza para criar.”
Aqui mais uma vez a tarimba popular, com a sua velha e tradicional sabedoria denuncia este tipo de demagogos quando diz: “ Bem prega o Frei Tomaz, faz o que ele diz e não o que ele faz“, ou mais concretamente neste caso “com papas e bolos se enganam os tolos”, porque é isso o que na realidade está a fazer.
É inacreditável o descaramento, sabendo o ataque devastador que estão a fazer às micro,pequenas e médias empresas que constituem 99,9 % do tecido empresarial e os benefícios com que premeiam as grandes empresas, que não passam de 0,1 % do conjunto. 
Se às primeiras correspondem 60,9 % do volume de negócios, as grandes empresas abocanham 39,4 %.
Aproveito para contar um caso pessoal, absolutamente significativo do que acabamos de afirmar.
Moramos longe de Lisboa, e raramente aí nos deslocamos.
Há tempos, pouco depois de chegar à Baixa, ao passar na rua dos Fanqueiros, demos por nós a interrogarmo-nos se era feriado, pois o enorme número de casas comerciais fechadas era de tal dimensão, que este raciocínio se assim não fosse, significaria grave perturbação da sanidade mental, num velho como eu.
Afinal não era realmente feriado! Aquelas lojas estavam fechadas porque os naturais "donos de Portugal" tinham "pura e simplesmente" falido !!!
Aquele doloroso espetáculo reflectia em toda a sua dimensão, as consequências do que o nosso manipulador 1º ministro anda a fazer e lhe permite gaba-se "que é um êxito a política que está a levar a cabo para acabar com os donos do país."
PELA PRIMEIRA VEZ CONCORDAMOS  PLENAMENTE COM PASSOS COELHO, DE FACTO..."OS DONOS DE PORTUGAL ESTÃO A DESAPARECER"...MAS PELAS PIORES RAZÕES!!!
O filme que se segue mostra muito dos “paísicidas” no tempo, onde ainda não se tinha “descoberto a careca” aos Espíritos Santos e os Mello, Champalimauds, Amorins, Belmiros, Jerónimo Martins etc.,etc., estavam nas suas 7 quintas.
Aqui mais uma vez é bom lembrar a voz do povo: 
“Por morrer uma andorinha, não se acaba a Primavera”.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A CARIDADE É O LADO OBSCENO DA SOLIDARIEDADE


AI PORTUGAL…PORTUGAL!!!
O problema da comunicação social, com que nos debatemos em Portugal é dos mais preocupantes.
Pensamos, por uma questão de rigor, que há muito canalha que está satisfeitíssimo com a situação, pois pelo facto de com isso serem beneficiados, estão-se nas tintas para o estado miserável em que o país se encontra.
Não esquecemos, que grande parte dessa responsabilidade deriva do facto de terem sido arregimentados para deformar a opinião pública, muitos dos “jornalistas” e “comentadores” que pululam na nossa comunicação social.
Fazemos esta afirmação, acrescentando, que o pecado é não só o que dizem, como também o que não dizem, manipulando cientificamente a alienação dos cidadãos, no sentido de os afastar de uma intervenção cívica consequente e consciente, criando uma nova espécie de cidadania, baseada num novo tipo de iliteracia política, a do analfabeto político.
A este propósito Bertolt Brecht, definiu de forma exemplar, as característica do “Analfabeto Político”:   
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
 O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”
Vem isto a propósito de uma notícia que ouvimos esta manhã, no noticiário da Antena 1, às sete horas, sobre a colocação em regime de requalificação, em inatividade, 697 trabalhadores do Instituto da Segurança Social (ISS) do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, considerados excedentes, a receberem 60% do salário no primeiro ano e 40% nos restantes anos, até atingir o ordenado mínimo.
O locutor acrescentava então, que a mesma pessoa que escolhia os trabalhadores do Instituto da Segurança Social (ISS) para ficarem inactivos, era exactamente a mesma pessoa que estava a escolher 300 desempregados em contrato de reinserção, por estarem no desemprego, para preencher as necessidades criadas com aquele afastamento.
Só foram necessárias duas horas, para que mesma estação de rádio, ocultasse o importantíssimo e esclarecedor comentário, que constituía a última parte da notícia.
Não somos bruxos, mas eramos capazes de apostar que foi alguém que tem o direito de entrar a horas mais confortáveis (estão a entender?), sem necessidade do lápis azul, deu ordem para censurar essa parte da notícia.
Esta, é mais uma demonstração da imoralidade que reina na política nacional, desde os tempos em que Mário Soares, 3 meses após o glorioso dia 25 de Abril, começou a conspirar e a pouco e pouco, paulatinamente, os velhos coronéis censores, foram substituídos por uma cáfila de corruptos e oportunistas, que transformaram a empolgante mensagem de esperança que aquela evento tinha trazido aos portugueses, numa política em que a comunicação social se transformou no poderoso meio de desinformação, reduzindo, senão mesmo eliminando, o sentido crítico e produzindo o marasmo político, em que vive o país.
Só assim se compreende que o poder económico se tivesse apoderado da nação e criasse por um lado, os mais pungentes dramas de miséria e por outro o nascimento de mais de 10.000 milionários (com mais de 1 milhão de euros),  em cada um dos dois últimos anos (para não falarmos dos mais de 14 mil milhões de euros que o ano passado foram exportados para os paraisos fiscais).
Se para nós é extraordinariamente doloroso, pensar quanto afecta a dignidade das pessoas, verem-se na necessidade de recorrer à caridade para poderem ter algo com que se alimentar, é aterrador pensar que futuro está reservado para a nossa juventude.
Que tipo de jovens estamos a gerar?
Que pensar, quando sabemos que imensos jovens só matam a fome quando chegam à escola???
Que pensar quando o que mais se ouve falar, (mais do que na prisão do ex-ministro Sócrates! ) é na recolha de dinheiro e alimentos, para matar a fome ao próximo em que a coqueluche do momento, é a campanha “Toca a todos” na rádio e televisão.
O reino da profissional da pobreza, Isabel Jonet, (que não está preocupada com os idosos que aparecem mortos em casa, mas sim com as carências por que passam enquanto são vivos) vive um dos seus êxitos mais fulgurantes, ao publicitar que foram 40.000 voluntários que conseguiu arregimentar, para matar a fome aos portugueses, embora com piores resultados que anteriormente (a crise chegou aquela caridade???)!!!
Como esta gente execranda, transforma a genuína e generosa solidariedade natural em cada ser humano, numa caridosa e hipócrita ignomínia social!!
Não é com caridade que se eleva a dignidade de um povo, mas é pela solidariedade que se vê o grau da sua civilidade.
A diferença entre Caridade e Solidariedade, fez-me lembrar um texto do  jornalista Daniel de Oliveira, publicado pelo “Expresso” com o título  “Antes pelo Contrário”, onde a diferença entre o “bem fazer”, está expressa exactamente da forma como  nós sentimos e como tal, não nos importaríamos de assinar por baixo.
Diz ele a páginas tantas:
“A caridade pressupõe uma relação de poder. O poder entre quem dá, se quer dar e a quem quer dar, e de quem recebe, se alguém lhe quiser oferecer alguma coisa. O assistencialismo - a institucionalização da caridade - corresponde a um favor, não a um direito. E quem depende de favores é menos exigente. Porque depende, para sobreviver, da boa vontade dos outros. A solidariedade, pelo contrário, corresponde a uma interajuda.”
O que não aceitamos, tal como afirmou um dirigente da Academia do Sporting, é haver muitos atletas jovens, que chegam para o treino às 18h00 e só nessa altura que lhes é proporcionada a primeira refeição do dia.
Perante a angústia que tal situação nos provoca, não podemos deixar de recordar Augusto Gil, na parte final da sua famosa balada da neve:
“Que quem já é pecador, sofra tormentos, enfim!, Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!...”
De tudo isto, a ideia mais impressiva que nos fica, é que este país está a transformar-se num espaço, cuja principal actividade é o trabalho voluntário, para matar a fome dos nossos concidadãos.
Mais do que repulsivos miseráveis são aqueles, que nos arrastaram para esta situação!!!
Canalhas!!!
Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social…. uma ova!!!
Ministério da Caridade, do Desemprego e da Insegurança Nacional….isso sim… é o que é!!!