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terça-feira, 13 de outubro de 2009

SOCRATES INCÓLUME?

SERÁ QUE OS “SOCIALISTAS” DO PS NÃO PERCEBERAM?

De um correspondente que me bombardeia sistematicamente com textos em defesa do Partido “Socialista” e que alem de se assumir como arauto da unidade de esquerda, dirigente do Partido Socialista e sobretudo director pedagógico de uma escola, (o que desde logo me obriga a tirar o chapéu!) recebi nova mensagem, com o título ” A Esquerda Que Ganhou Nas Autárquicas … E os Que as Perderam!”, onde descortino, um equívoco, elogio ao Partido Comunista.
Diz o fulano a páginas tantas:
“As eleições Autárquicas mostraram a importância da Unidade da Esquerda, e do respeito pela Diversidade à Esquerda, únicas formas de derrotar a Direita, que se uniu como pôde e sempre que pôde e, mesmo assim, foi derrotada.
Porque o PS resistiu e porque houve um comportamento exemplar do PCP, quanto ao voto útil em Lisboa.”
Como o elogio no que diz respeito a mim e a todos os camaradas que conheço, é imerecido, apresso-me a declarar que não votei no António Costa e não tenho conhecimento de qualquer orientação do Partido nesse sentido, apesar de ser um militante bastante bem informado.
Quanto ao “comportamento exemplar” do Partido Comunista, porque constitui a sua norma, a citação cheira-me a provocação.
A seguir entretêm-se a dar uma trepa no comportamento do Bloco de Esquerda, sentindo-se muito perspicaz e espirituoso ao referir inúmeras vezes o seu líder, pela dupla designação de “Anacleto Louçã”, dando uma secreta e perspicaz segunda intenção ao primeiro nome, como se o facto de ele se chamar Anacleto, significasse ser um irremediável mentecapto.
Não tenho nenhuma simpatia pelo Bloco de Esquerda, mas reconheço que Louçã é um homem muito inteligente, sabedor, com um fácil e convincente dom de palavra, lastimando que a sua visão política, não lhe permita perceber a superioridade das virtudes ideológicas e organizativas do Partido Comunista Português e a sua genuína origem na defesa dos interesses do povo trabalhador. Mas isso é outra questão!
Mais adiante refere o “dirigente socialista”:

“O Partido Socialista teve, desta vez, uma enorme sorte – chamado José Sócrates”.
Aí fiquei completamente siderado.
Pensava que a primeira ilação a tirar do resultado destas eleições, era a prova dos nove, da rejeição objectiva da política levada a cabo por José Sócrates.
Eu explico:
Nas eleições legislativas, a derrota do Partido Socialista foi evidente. É um facto indesmentível.
Ficou claro que a subida do Bloco de Esquerda teve origem na fuga de votos do PS.
Nestas eleições para as autarquias, a maioria esmagadora desses votos regressaram ao Partido Socialista.
Daí o quase desaparecimento do Bloco, nestas eleições contrariamente às exageradas previsões do seu líder.
A única explicação plausível, é o mundo do trabalho, que será socialista por intuição, ter votado nos candidatos socialistas, porque eles não representavam nem defendiam, os valores defendidos pelo governo do Sócrates, mas sim os valores das problemáticas locais.
Numa análise de pormenor, os problemas locais e as caras de quem os defendia não tinha nada a ver com José Sócrates.
Daí as soluções propostas pelos autarcas socialistas, serem objectivamente mais próximos dos interesses populares, do que os da Direita, o que resultou na recuperação do Partido Socialista em numero de votos e autarquias.
Não é difícil concluir que por estas razões, Sócrates e a sua política, pouca ou nenhuma influência tiveram nos resultados e contrariamente ao que afirma o “dirigente socialista”, é de facto uma infelicidade para o Partido Socialista, ter como líder José Sócrates.
Aliás já constou que há dirigentes do PS que assim pensam e o futuro vai-se encarregar de provar, a razão destas afirmações.
O aviso que foi dado e será extremamente pedagógico para os acordos que no próximo mandato o novo governo socialista venha a fazer.
Tudo o que irá acontecer na próxima Assembleia da Republica, irá obrigar o Partido Socialista a clarificar as suas opções.
É quase insensato pensar que o arrogante José Sócrates seja sensível a esta lógica, mas o futuro e sobretudo as próximas eleições legislativas e autárquicas, irão provar que são proféticas estas deduções.
Ou José Sócrates e o futuro governo defendem os interesses das classes trabalhadoras e tem os votos favoráveis do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda, ou favorece o capital e seus mais directos beneficiários e aí terá o apoio do CDS e do PSD.
Cada votação será uma lição, para o povo e para os trabalhadores!
As consequências, só o futuro o dirá, mas uma coisa é certa: A esquerda tem agora a vida facilitada pela obrigatória clareza dos argumentos e consequentemente a direita tem que conviver na ambiguidade das suas posições para poder defender os seus interesses.
Clarinho como a água.

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