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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

NO REINO DO FREI TOMAZ!!!

NESTA REBALDARIA, ATÉ FREI CAVACO
GANHA MAIS QUE SÃO SARCOZY!!!

Os portugueses são uns ingratos!!!
Aliás é umas idiossincrasias que herdámos dos nossos cavernícolas antepassados. Já um general romano, numa carta enviada a Júlio César dizia:
"Há na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa, nem se deixa governar".

Vem isto a propósito dos raros privilégios que os nossos esforçados e incompreendidos deputados têm, da miséria de ordenados e sinecuras que conquistam á custa de uma hercúlea e diligente labuta e que tão mal tratados são pela opinião pública, que no fundo…no fundo nada mais são, do que uma cambada de invejosos.
Esquecem-se que a vida de um deputado, só pelo facto de aceitarem ser os representantes do povo, passaram a ter uma vida angustiada e extenuante.

Eles têm todo o direito de se sentirem, “o’fondidos” e mal pagos.
Tanto sacrifício, tanto trabalho e só ganham 3708 € como salário-base, correspondente a 50% do vencimento do presidente da Republica, mais 10 % do salário para despesas de representação o que quer dizer que em relação aos seus colega espanhóis só ganham mais 600 €.
Bem sabemos que em relação á maioria, senão totalidade dos trabalhadores, são muito mais bem pagos, (não incluímos os quadros superiores da banca, nem nos executivos das grandes empresas, porque isso é outra conversa!!!) mas é preciso ver que têm muitas mais carências e piores horários de trabalho!!!
Senão vejamos: “Somente” para os deputados que não possam ir a pé para o Parlamento, têm direito ao pagamento do transporte da residência até S.Bento.
Neste caso as “severas e rígidas” regras que presidem a esta situação, são as seguintes:
Quando há plenário, a quantia para despesas de transporte (x) calcula-se da seguinte maneira:
x= N x S x K

N= Número de quilómetros de ida e volta semanal da residência do deputado a S. Bento
S= número de semanas do mês (quatro ou cinco)
K=0,39 € - Valor do quilómetro para deslocações em viatura própria.

Exemplo:

Uma viagem ao Porto são 600 quilómetros cinco vezes num mês, dá três mil quilómetros. Como o quilómetro é pago a 0,39 €, o abono desse mês é de 1.170 €.

É “só” um bocadinho mais, do que se paga no “Alfa-pendular”, que em 1ª Classe custa 40.58 € ou 28.50 € em 2ª Classe.
Sou capaz de jurar, que este é o transporte mais utilizado, primeiro porque rende neste caso 1.139.42 €, depois porque cansa menos e é mais confortável!
Por outro lado, o deputado que tem a desgraça de residir fora dos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Loures, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro e Amadora recebe mais 1/3 das ajudas de custo fixadas para os membros do Governo (67,24 €) por cada dia de presença no plenário, nas comissões ou em qualquer reunião convocada pelo presidente da AR e mais dois dias por semana.
Se for um dos eleitos pelas regiões autónomas, recebem o valor de uma viagem aérea semanal (ida e volta) na classe mais elevada entre o aeroporto e Lisboa, mais o valor da distância do aeroporto à residência.
Por exemplo, 512 € (tarifa da TAP para o Funchal com taxas) multiplicados por quatro ou cinco semanas, ou seja, 2048 €.
O este valor acrescenta o número de quilómetros (30, por exemplo) de casa ao aeroporto a dobrar (por ser ida e volta) e multiplica pelas mesmas quatro (ou cinco) semanas do mês.
O valor resultante é multiplicado por 0,39 €, o que dá 936 €. Conclusão ao todo recebe 2.980 €.
Há ainda uma receitazinha que se pode ir buscar, no caso de um deputado morar fora do círculo para o qual foi eleito.
Nestas circunstâncias, tem direito a mais dois dias por semana de ajudas de custo, para o seu “trabalho” político, correspondentes a 67,24 € (o requinte destes 24 cêntimos impressionaram-nos e ficámos completamente vergados).
Aquele requinte de pormenor, deve ter sido resultado , imaginamos nós, de uma hipotética fórmula utilizada pelo Barão de Rothschild, para calcular o regime de juros compostos ao invés de juros simples, aplicada mais ou menos pela fórmula M = P x (1 + i) x (1 + i) x (1 + i).
Mas ainda há mais.
Se por outro lado for “obrigado” a ir ao estrangeiro, então aí o prejuízo eleva-se 163,36 €. (aqui os 36 cêntimos obrigou-nos a refinar os anteriores cálculos da referida matemática financeira, aplicando uma outra fórmula
J = P [(1+i)n-1].
Como vêm , nós nisto de formulas financeiras, temos uma imaginação muito rebuscada, absolutamente adequada á elevação científica que a especificidade da matéria exigia!!!
Foi concerteza na base destes ou de outros fantasiosos cálculos, que a deputada Inês Medeiros, exigiu o pagamento da sua viagem de avião, em classe executiva, que todas as semanas faz a Paris, onde tem a sua morada, para nos deliciar com o seu profundo e eterno silêncio, compensado por uma beleza, que só pelo lado paternal, genéticamente se pode explicar.
Embrenhado que estava a justificar cientificamente todos estes cálculos, ia-me esquecendo de esclarecer que há uns pacóvios do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português, onde as coisas não são bem assim.
De facto os deputados do PCP, são uns tipos realmente exóticos.
Como a maioria, senão a totalidade dos seus deputados são funcionários do Partido Comunista, os “patetas” pessoalmente só metem ao bolso 750 €, que é o valor do ordenado de todos os funcionários políticos do PCP e entregam todos os remanescentes, directamente para o Partido, na medida em que, aceitam e cumprem a regra fundamental para todos os militantes:
“Ninguém pode ser beneficiado ou prejudicado, ao serviço ou em representação do PCP”.
Aquilo é gente que não interessa nada.
Têm a mania que se sacrificar por ideais, fazem dos objectivos patrióticos, a sua missão e lutam pelos interesses dos trabalhadores!!!.
Calculem que nunca faltam às sessões do Parlamento e são os deputados que proporcionalmente mais intervêm e propostas de projectos lei e requerimentos apresentam.
São definitivamente uns palermoides!!!
Ainda por cima, propõem soluções que só interessam á esmagadora maioria dos trabalhadores e atrevem-se a condenar todas as medidas que beneficiam unilateralmente as grandes empresas, a banca e as classes sociais mais favorecidas!!!
Nós só perguntamos uma coisa:
Que interessa defender os interesses dos agricultores, dos pescadores, dos micro, pequenos e médios empresários, dos deficientes, dos reformados???
Onde é que já se viu isto, nos tempos que correm???
Enfim é o que temos!!!

Ser deputado em Portugal é fazer parte de uma elite que desempenha uma tarefa nobilíssima, de bater palmas, sempre que um colega de partido pára o discurso, para respirar.

Ser deputado em Portugal exige o sacrifício de só dormitar, ler o jornal ou entreter-se com o computador, nas confortáveis e renovadas cadeiras, quando a Oposição fala.

Ser deputado em Portugal é poder utilizar a título gratuito, serviços postais, telecomunicações e redes electrónicas e ser obrigado a aceitar sinecuras e prebendas, mas ser esbulhado de 4,65 euros por um simples almoço, para si e para os seus assessores, cujo modesto menu consta de sopa, um prato principal, sobremesa, fruta e salada à discrição.
Estamos convencidos que a qualidade destas refeições, deve ser miserável, muito pior que o rancho dos soldados rasos, na tropa.
E agora, com a dimensão da crise, (de que eles como todos sabemos, não têm a mínima responsabilidade), estamos de acordo com a última solicitação do deputado do PS Ricardo Gonçalves, de exigir que se abra o refeitório, para o jantar.
Estamos convencidos, que em breve, com o agravar da crise, ele venha a pedir para serem autorizados o acesso ao refeitório, a todos os familiares e amigos dos deputados.
Outra peculiaridade que revolta qualquer um, é saber a exploração a que estão sujeitos esses deputados, que tenham necessidade de utilizar os bares do Parlamento.
Um simples cafezito custa 25 cêntimos, uma garrafa de 1,5 litro de água mineral 33 cêntimos e uma sandes de queijo 45 cêntimos.
Isto é pura especulação, a pedir a intervenção urgente da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica).
Até parecem os bares do aeroporto, onde a imoralidade de se aproveitarem do elevado nível de vida que os estrangeiros que nos visitam, os fazerem pagar três vezes mais o que consomem, do que o preço normal em qualquer outro lado.

Ser deputado em Portugal é além do mais, ser vítima de uma justíssima imunidade “para-lamentar”.
Reconhecemos que em certos casos tem grandes vantagens, nomeadamente por exemplo, quando o deputado Ricardo Rodrigues precisou de um gravador, aceitou dar uma entrevista e mal o jornalista se precatou, meteu o gravador ao bolso…. e pronto!!!.
Tá feito e não lhe aconteceu nada!!!

Mas…Ser deputado em Portugal também pode tornar-se um autêntico pesadelo e correr riscos surpreendentes.
Vejamos por exemplo, o que acontece quando se tem o azar de ser escolhido para presidente da Assembleia da República
Recebe somente 80% do ordenado do presidente da República (5.810 €).
Tem o abono mensal para despesas de representação, resumido a 40% do valor de do respectivo vencimento (2950 €), o que resumidamente perfaz (8760 €).
Tem direito a residência oficial e vários calhambeques para uso pessoal. Não precisa de conduzir porque tem um motorista privativo.

Ser deputado em Portugal, já de si é o cúmulo da infelicidade, mas então que dizer, quando por enguiço se é escolhido como um dos quatro vice-presidentes da AR, presidente do seu Conselho de Administração ou líder de um grupo parlamentar.
Qualquer uma destas prejudiciais situações, obriga a ter um gabinete pessoal, com a única vantagem de aí poder dormir mais confortavelmente uma sonecas mas em contrapartida, tem de aturar um secretário particular, um motorista e um calhambeque, que não só é geralmente muito velho, lento e estará sempre a precisar de ir ao mecânico.
Para compensar todo este infortúnio só lhe atribuem um miserável abono de 25% do salário (927 €) e no caso dos lideres parlamentares e secretários da Mesa, ainda pior, têm de se contentar com 20% do salário (742 €) e chamem-lhe um figo!!!

Sem querer-mos parecer tendenciosos, achamos que quando se beneficia muito particularmente os vice-presidentes dos grupos parlamentares do PS ou do PSD, (os outros, normalmente nunca têm acesso a este tacho!) com um o abono de mais 15% do vencimento (555 €) porque têm de aturar mais de 20 deputados, é profundamente justo e consideramos igualmente “descriminação positiva”, remunerar de igual modo os presidentes das comissões permanentes e os vice-secretários da Mesa.

Mas o cúmulo da desdita, é ser escolhido para chefe do governo.
Não tem nenhuma oportunidade de preparar um tacho, (para quando deixar de o ser), enriquecer e fazer enriquecer os amigos.
Calculem que a partir de Junho, só ganha 5.400 €.(Hi, Hi, Hi!!!!!).

Finalmente temos de falar do nosso ilustre presidente da Republica, que além de ter o nó de gravata mais irrepreensível de todos os políticos portugueses (e não só!!!), o mísero ordenado que ganha, serve de referência base a esta malta toda.
Remuneração mensal bruta 7.630 €
Mas não se preocupem, que ele está também “razoavelmente” bem presidencializado!!!
Pensão que recebe do Banco de Portugal (BP) 4.152 €
Pensão da - Universidade Nova de Lisboa. Caixa Geral de Aposentações (CGA) 2.679 €
Mas, Há sempre um “mas” , para sermos honestos, temos de confessar que Cavaco Silva, teve de prescindir subvenção vitalícia que recebia como ex-primeiro-ministro, «em virtude de assumir novas funções públicas». Esse valor era de 2.876 euros e obviamente continuará a receber, logo que abandone as actuais funções.
Valeu a pena, ir para presidente!!! Feitas as contas só perdeu (por enquanto!!!) 2.876 €, o que equivale a receber mais 7.760 €.
Depois destes levantamento, para resumir e concluir a rebaldaria do Parlamento, custa ao erário público, isto é sai dos bolsos de todos nós.

Diário da República nº 28 – 1ª série - datado de 10 de Fevereiro de 2010

RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA nº 11/2010

1 - Vencimento de Deputados .................12 milhões 349 mil Euros
2 - Ajudas de Custo de Deputados.............2 milhões 724 mil Euros
3 - Transportes de Deputados .................. 3 milhões 869 mil Euros
4 - Deslocações e Estadas ......................... 2 milhões 363 mil Euros
5 - Assistência Técnica (??) ..................... 2 milhões 948 mil Euros
6 - Outros Trabalhos Especializados (??).3 milhões 593 mil Euros
7 - Restaurante, Refeitório, Cafetaria....................... 961 mil Euros
8 - Subvenções aos Grupos Parlamentares............... 970 mil Euros
9 - Equipamento de Informática .............. 2 milhões 110 mil Euros
10- Outros Investimentos (??) ..................2 milhões 420 mil Euros
11- Edifícios .............................................. 2 milhões 686 mil Euros
12- Transferências Diversas (??)..............13 milhões 506 mil Euros
13- Subvenção aos Partidos na A. R. ........16 milhões 977 mil Euros
14- Subvenções de campanhas eleitorais.73 milhões 798 mil Euros
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3 comentários:

José Augusto Nozes Pires disse...

Bom trabalho de investigação. Mereceias um abono de deputado. Um abraço, camarada!

JUVENAL disse...

Não preciso de rico!!!
No entanto agradeço a generosíssima intenção.
É de camarada!!!
Juvenal

JUVENAL disse...

~Faltou o "ser"
Mais vale sê-lo do que "parcê-lo"
Nesta ordem de ideias a frase devia ter sido assim:
NÃO PRECISO DE SER RICO!!!
Vai com letra grande para se "ouvir melhor"
Mais um abração
Juvenal