Mensagem

Mensagem

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

DA ROBÓTICA
Á CIÊNCIA COGNITIVA
ONDE SE FALA DO DIREITO AO TRABALHO

Acabo de ver um programa na televisão, que só veio agravar as preocupações que de há muito tenho, sobre a futura evolução da humanidade, na vertente do seu primeiro e principal direito, que é o direito ao trabalho.
Nele se confirmou á evidência, os perigos que se adivinham para os trabalhadores, na sua dependência dos postos de trabalho, em consequência do desenvolvimento que no campo científico tem tido a robótica, a nano tecnologia, a inteligência artificial e a ciência cognitiva.
Falava-se nesse programa, da capacidade de se poder transcender o actual ser humano, devido aos enormes progressos feitos em várias áreas da ciência, incluindo a nano tecnologia entre outras, através das quais se aumenta ao infinito as capacidades do homem, quer através da ligação de chips ao seu sistema nervoso, quer exponenciando as suas capacidades em termos de armazenagem de dados, conhecimentos e outra lógicas.
Se também juntarmos a estes progressos, o conhecido desenvolvimento científico da genética actual, sabemos ser já possível seleccionar indivíduos que possam ser imunes a determinadas doenças, não sendo impraticável pensar transformar esse factor numa vantagem quantificável, tendo em vista os seguros de saúde e as capacidades de sobrevivência.
Como sabemos, estão também já nas suas possibilidades a capacidade de aumentar múltiplas características distintivas e até outras actualmente inimagináveis, mas que poderão passar por não só substituir artificialmente partes do corpo humano, mas também desenvolver características biológicas específicas.
Na realidade isto constitui uma mistura explosiva para na evolução humanidade.
Ao tornar-se possível, determinadas pessoas ou grupos, seleccionarem os privilegiados que podem beneficiar desses avanços da ciência e torná-los regalias ou privilégios, corre-se o risco de se estar a criar um grupo, ou mesmo uma classe dominante inatingível.
Será facilmente admissível, que num estágio desses, ao submeter todos os restantes, às normais leis da natureza, a consequente desigualdade de direitos e oportunidades, constituiria uma regressão para a humanidade, semelhante a que constituiu o negro período histórico da escravatura.
Há pouco tempo, na “Conferência sobre o poder económico, desigualdades sociais e liberdades democráticas”, levada a cabo pelo PCP no Hotel Plaza, interpelei os conferencistas, durante o período destinado às intervenções da assistência, sobre os problemas que levantava para o mercado do trabalho, as futuras relações de produção.
(Vide relato neste Blogue no dia 15 de Fevereiro)
Na actual situação das relações de produção e dada a sua previsível evolução, os donos dos meios de produção têm toda a possibilidade de dispensarem “mão-de-obra” a seu belo prazer, e substituí-la por simples robôs e outros automatismos mecânicos, baseados na inteligência artificial, na informática, ou em alguma das novas tecnologias.
Era minha intenção falar por exemplo, do facto de já existirem há anos robôs móveis autónomos, que aprendem e executam por imitação, que são capazes de deslocar um objecto para um qualquer lugar imitando quem (ou o quê) tinha sido feito anteriormente, através de um autêntico sistema nervoso composto por pequenos computadores.
Já se chegou em laboratório a obter uma reacção, que se pode considerar como reflexa, pela alteração do meio envolvente e há fortes possibilidades de em breve se conseguir robôs que consigam raciocinar, através de uma estrutura análoga á do cérebro, chegando-se mesmo a proporcionar a esses robôs uma consciência artificial.
Não estou a ignorar os estudos feitos e desenvolvidos pelo nosso cientista Professor António Damásio, pioneiro absoluto sobre os factores humanos da consciência, mas a limitá-los na sua extensão, às questões espirituais ou de crença.
Tudo isto será terrível para os seres humanos que estejam dependentes dos vários poderes, para trabalhar e sobreviver, com um mínimo de felicidade.
Mais, é incrível, que matérias desta natureza, com tantas e dramáticas consequências para a humanidade e sobretudo para o mundo do trabalho, seja quase um “Segredo dos Deuses” e só em longínquos, raros ou especialíssimos meios, os leigos têm acesso a estas matérias, de vital importância para todos nós.
Tudo isto gostaria de ter referido, mas para não alongar a minha intervenção, limitei-a ao mínimo possível, na expectativa que na segunda parte da conferência, fossem tidas em consideração as minhas resumidas alegações.

Nenhum dos conferencistas abordou estes aspectos fundamentais das relações de trabalho e da propriedade dos meios de produção, o que para mim constituiu uma terrível frustração, pois considero, se os trabalhadores não estiverem atentos a estes factos, serão apanhados de surpresa numa situação laboral e de sobrevivência a que dificilmente poderão responder.
Aceito que não é um problema imediato, de curto ou médio prazo.
Eu pessoalmente estou convencido, que pelo caminho que as coisas estão a levar, a longo prazo, só numa situação revolucionária, será possível mudar o curso dos acontecimentos.

O tempo o dirá!!!!

2 comentários:

João Ramalho disse...

Tendo lido este post do blog, não pude deixar de vir comentar na visão do informático que espero vir a ser.

É impossível parar a evolução tecnológica! Feliz, ou infelizmente, cada vez as máquinas vão substituir o ser humano como "operário fabril". Elas são mais rápidas, mais precisas, poupando assim tempo e recursos valiosos as empresas.

Claro que há aspectos desvantajosos de ter maquinas a trabalhar para nós, e muito grandes aliás. Mas, no final de contas há certas acções que as pessoa são simplesmente incapazes de realizar.

A consciência robótica, o senso comum, ainda é apenas uma visão. Mas, será que podemos viver no futuro sem ela existir? Acho que não, é inevitável que ela seja uma realidade.

Também me preocupa a questão de estarmos tão dependentes da informática, mas só podemos esperar o melhor, porque no final, ela vai invadir cada vez mais os nossos lares, quer queira-mos quer não.

Juvenal disse...

Caro João Ramalho
O seu comentário é absolutamente pertinente.
Quando diz:Feliz ou infelizmente cada vez mais as máquinas vão substituir o ser humano, eu concordo e mais, ainda bem!!!
Porquê?Porque deveria deixar mais tempo livre ao homem para ser feliz! O problema é a propriedade desse meio de produção e para quem reverte esse benefício, criado pela inteligência do homem.Fiz-me entender agora?