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sábado, 27 de fevereiro de 2010

30 ANOS DEPOIS
Este “power point” é uma visão nacional, das principais interrogações que se colocam a quem viveu a revolução dos cravos e se encheu de esperanças, ao ver Portugal transformado no farol da emancipação dos trabalhadores, perante a Europa e o Mundo.
O texto que se segue, vai um pouco mais longe.
Aborda algumas interrogações que se colocam a todos os cidadãos, num mundo em vertiginosa evolução e que surpreendentemente não procura generalizar a toda a humanidade os benefícios da evolução científica, mas reduzir a uma elite, o direito á vida e á felicidade.
Depois der ver este “power point”, não perca o texto que se segue e dê conhecimento dele, aos seus amigos e conhecidos.
Julgo que o tema merece uma profunda reflexão de todos nós.
Obrigado.

 UMA LUTA DESIGUAL
UM COMBATE FUNDAMENTAL, NUM MUNDO
EM VERTIGINOSA TRANSFORMAÇÃO

É verdadeiramente assustador, pensar que futuro está reservado á espécie humana, quando se conhecem os campos em que se desenvolvem algumas das ciências, nomeadamente no campo da nano tecnologia, da biomecatrônica, da robótica, da burótica, da informática, em suma da novas tecnologias.
Refiro a espécie humana em geral, mas poderia e até deveria especificar mais propriamente o “Mundo do Trabalho”.
Os nossos temores são justificados não só pelos aberrantes perigos que estão de facto a ameaçar a humanidade em geral e as classes trabalhadoras em particular, mas também e principalmente no que se refere às dificuldades que se deparam e têm de ultrapassar, para reivindicar novas e necessárias relações de produção. 

 Sendo os trabalhadores, as principais vítimas das crises cíclicas do capitalismo, escasseiam os seus direitos naturais e crescem as dificuldades, em consequência da rarefacção crescente de postos de trabalho.
O mais grave na presente situação, é que os governos estão a “embebedar” os trabalhadores com promessas de eventuais recuperações de postos de trabalho, unicamente com a finalidade de pacificar e neutralizar a sua ainda enorme capacidade reivindicativa, embora numa luta desproporcionada e que em última instância, coloca em sérios risco as suas organizações de classe e consequentemente a sua sobrevivência.
O equilíbrio e dimensão da “Bolsa de Desemprego”, que era uma fonte de preocupação que o Capital geria prudentemente para manter a paz social, com a “Globalização” tem tendência a desaparecer.
Há ainda a acrescentar possibilidade do patronato poder vir a substituir os trabalhadores nos meios de produção, por sucedâneos da mão-de-obra humana e então, as preocupações sociais, serão definitivamente abandonadas.
O mundo dos privilégios, do tráfico de influências, do compadrio e da corrupção, está de tal maneira infiltrado na Sociedade, que os “média” fiscalizadores ou denunciantes preferenciais, e até a própria Justiça, até agora disciplinadora da moral vigente, foram, ou estão a ser instrumentalizados pelo poder do Capital e tornaram-se presas fáceis ou silenciosas testemunhas, dos criminosos interesses que delas se estão a apoderar.
O Capital financeiro, por intermédio de subservientes governos, anuncia medidas para minorar esta tragédia, mas todos sabemos que essas promessas se limitam a iludir os problemas, que lhe estão na origem e nada de essencial se modifica ou modificará.
Basta recordar o que se passou nesta última grande crise financeira internacional, em que os governos fornecerem biliões aos bancos para salvar o Sistema, hipotecando o futuro da generalidade dos cidadãos, sem que nenhuma consequência ou medida de fundo fosse tomada, para corrigir os problemas que estiveram na origem dessa catastrófica crise mundial.
Embora os gestores financeiros, já tenham recuperado (e muitas vezes aumentado!!!) os seus anteriores imorais rendimentos, os problemas essenciais do mundo da economia, mantêm-se, havendo economistas que prevêem novos e mais graves desenvolvimentos, já no fim do próximo verão.
Os Offshore, porta de entrada e saída preferencial no branqueamento de capitais e fuga aos impostos, estão como estavam e como sempre estiveram.
O processo de produção, no Capitalismo, sempre desviou o máximo da mais-valia produzida pelos trabalhadores, em proveito do patronato, mas na actualidade tomou o freio nos dentes e perdeu todo o pudor.
Não temos dúvidas, que se perdeu a capacidade de absorver totalmente a mão-de-obra disponível e com o passar do tempo, a desmoralização dos trabalhadores e a fragilização das suas organizações de classe, fazem prever negros tempos, para quem só tem a sua força de trabalho para sobreviver.
No horizonte, desenha-se a tentativa de uma nova ordem social, baseada na desregulamentação do trabalho em substituição da supervisão do Estado.
Herbert Henzler, director da filial alemã da empresa de consultadoria McKinsey prevê:
 
“A indústria vai seguir o caminho da agricultura. No futuro apenas uma ínfima percentagem da população irá buscar os seus rendimentos à produção de mercadorias” 
Está a fazer dois anos no dia 27 de Fevereiro, que iniciámos este Blogue, com a publicação de um profético artigo de Werner Schwab, com o título “A Armadilha da Globalização - Sociedade dos dois décimos” e que tinha como subtítulo “Os senhores do mundo a caminho de uma outra civilização”.
Nele se pode ler por exemplo o que diz John Gage da empresa informática norte-americana Sun Microsystems:

”Contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador” .“Limitamo-nos a ir buscar os mais inteligentes, por agora damos preferência aos bons cérebros da Índia”. “Desde o começo há 13 anos, o volume dos negócios da nossa firma, passou do 0 para 6.0000 milhões de dólares”.
 E mais adiante, concluía o artigo:
"No próximo século, para manter a actividade da economia mundial, dois décimos da população activa serão suficientes, para produzir todos os bens necessários, isto é um quinto dos candidatos aos postos de trabalho, bastará para produzir todas as mercadorias e para fornecer as prestações de serviços necessários à humanidade.”Os restantes quatro quintos….ah, esses vão ter problemas!!!” 
De facto, não foi preciso esperar pelo próximo século.
A Globalização, potenciada pelos desenvolvimentos de novas áreas científicas e das novas tecnologias, transformou-se numa armadilha de consequências funestas para os trabalhadores e suas famílias.
Temos que entender que as situações referidas na altura, tinham em consideração as previsões baseadas na avaliação das capacidades científicas existentes, particularmente na área da produção, nomeadamente os desenvolvimentos da informática e da robótica na substituição da mão-de-obra.
Passados que são estes poucos anos, com o aparecimento, desenvolvimento e aplicação prática da nano tecnologia e sobretudo da biomecatrônica, todas essas previsões passaram a pecar por defeito.
Hoje, que este ramo da ciência está a demonstrar as suas colossais potencialidades, pode-se mesmo dizer, que a noção de Deus criador, está á sua mercê, colocando dilemas terríveis á humanidade.
Num próximo futuro ou os cidadãos assumem formas de organização política e social, que retire ao Capital a posse ou o domínio dos meios de produção, ou estes utilizando os meios de que a ciência está a colocar ao seu dispor, terão oportunidade de escravizar a sociedade, colocando-a ao serviço das elites dominantes, proprietárias desses meios. 

Este dilema, que nos atrevemos a propor á meditação de quem lê esta Blogue, não é uma fantasia delirante.
A dimensão dos dramas que se avizinham, se nada for feito para contrariar a suave apropriação e concentração dos meios de produção pelas classes dominantes, que se está a verificar, será trágica para a humanidade.
Nunca como agora, os meios de produção e o controle científico, estiveram na posse de tão poucos e como todos sabemos, a tendência é para com as crises, aumentar essa concentração. 

Uma primeira e definitiva interrogação que se nos coloca é a seguinte: que acontecerá á Sociedade se por exemplo, ao serem criadas novas formas artificiais de vida “melhoradas”, através nano tecnologia, da biologia e da genética, for permitido criar novas classes de seres humanos com super poderes???
Quem terá acesso a eles e que poder controlará a situação?
Já não me refiro a robôs e á utilização de meios cibernéticos.
Por exemplo, alguém imaginaria um ser humano (na verdadeira acessão da palavra) à prova de bala??
Isto não é ficção!
A realidade actual, caminha em velocidade vertiginosa para áreas que nem a imaginação mais delirante, poderia com alguma consistência científica prever há bem pouco.
Agora, basta acompanhar os últimos avanços da nano ciência.
Ao criar implantes neurais e próteses inteligentes, os avanços conseguidos nesta nova área científica a que designamos de biomecatrônica, as investigações de engenheiros belgas que criaram um micro-chip formado por uma série de pilares nano métricos, já permite a conexão directa entre células vivas e circuitos electrónicos.
Estes avanços científicos tornam imperioso discutir urgentemente os aspectos éticos, bioéticos, económicos e financeiros ligados ao patrocínio e posse destes desenvolvimentos científicos.
Como proceder perante esta realidade, simbolizada pela capacidade de ampliar as capacidades humanas, através do uso de novíssimas tecnologias, cujo desenvolvimento permite a criação daquilo a que os cientistas designam de “seres humanos aprimorados," que mais não são do que “seres humanos melhorados”, dotados de capacidades físicas e mentais, acima das capacidades humanas normais.
Como é possível continuar enquadrar esta problemática, nos mesmos moldes e no quadro das actuais relações de produção e de organização social e política???
Como se irá realizar a interacção na sociedade e sobretudo no mundo do trabalho e da produção, entre robôs, humanóides, mesmo na hipótese algo remota, de ser possível dar a essas “máquinas” inteligência social ou mesmo inteligência moral.
E finalmente, sobre todas estas reflexões, deixamos esta simples, objectiva e óbvia pergunta:
Para ficarem ao serviço de quem???

2 comentários:

José Augusto Nozes Pires disse...

Muito bom! Quase tudo está. O futuro é a continuação do presente, excepto se as forças sociais insubmissas travarem estres processos e impuserem novas relações sociais sob um novo regime político. O proletariado aumenta, atinge já camadas médias, o desemprego e o emprego precário colocam desafios novos à luta revolucionária.

JUVENAL disse...

Agradeço o elogio. O seu "quase" é que de uma maneira geral me assusta, por dar dimensão substantiva às minhas reflexões. Evidencia o que a maioria de esquerda pensa e que eu desejaria que assim fosse. Agora acredito que a situação é muito mais grave e nós estamos a correr o risco de avaliar a dialéctica da natureza na perspectiva errada de Hegel, fazendo o “sujeito” determinar a Natureza e não o que pensava Engels, sob as leis para o movimento da natureza, da história humana e do pensamento. Estou velho demais para assistir á minha falta de razão, mas o tempo ou o fim da humanidade serão os árbitros deste agradável desencontro.