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terça-feira, 5 de maio de 2009

CARTA ABERTA A JOSÉ SARAMAGO


VITAL MOREIRA A POLÉMICA VITAL


Não pensava perder um minuto com o ardiloso conflito, em que esteve envolvido Vital Moreira, na medida em que a sua natureza polémica, não me parecia merecer mais do que o meu mais distanciado desprezo.
Por uma simples razão: Acho que foi uma provocação planeada e bem sucedida.
Se tivermos em consideração a ida de Vital Moreira como representante do PS, depois das suas polémicas teses sobre os professores pouco tempo atrás, somadas com outros disparates semelhantes que tem expendido com frequência, tudo fazia adivinhar que a sua jornada de propaganda eleitoral, era potencialmente explosiva.
É fácil perceber que os inúmeros (dizem-me que são 130 !!!) assessores de Sócrates, sabiam perfeitamente, que um incidente daquela natureza, possibilitava uma grande vantagem propagandística e que seria um trunfo de "marketing" fantástico, para dar visibilidade á apagada candidatura, daquele híbrido aspirante, a um excepcionalmente bem remunerado lugar de deputado europeu.
A única reflexão que o caso me mereceu, foi o facto de José Saramago se ter pronunciado, evocando o argumento de que se o desaguisado tivesse intervenção de militantes do seu Partido, o PCP, "achava que estes deviam ser expulsos"!!!.
Se ele teve alguma informação específica, sobre a gravidade e natureza do conflito, que me tenha escapado, apesar da imensa informação que os média se encarregaram de propagandear, tudo bem!!!
Mas se o que sabe, tem origem nas mesmas fontes que as minhas, que são os média em geral, estranho tão grave pronunciamento.
Reconheço que o comportamento foi incorrecto.
Reconheço, que se de facto foram militantes do Partido, que na totalidade ou em parte, estiveram envolvidos nas agressões verbais e na tentativa frustrada de dar um banho ao putativo candidato, prestaram um péssimo serviço á causa dos trabalhadores.
Quanto a mim a principal crítica que lhes fiz e continuo a fazer, foi a indesculpável falta de capacidade em avaliar as consequências, ou então a ingenuidade de se deixarem manipular por provocadores, que não estou longe de acreditar, pudessem fazer parte dos planos de quem tivesse planificado a provocação.
Mas, independentemente da admiração que tenho por José Saramago, como escritor e como ser solidário, custa-me que um indivíduo daquela craveira intelectual e com a sua experiência de vida, arrisque a colocar nas mãos dos seus adversários munições tão preciosas, que só atingem á traição, exactamente os ideais, porque se bate desde sempre.
Orgulho-me de o ter como camarada, como pensador, mas exactamente por isso, tem a obrigação de saber avaliar o peso das suas palavras.
A sua projecção internacional coloca uma lupa em todas as suas afirmações, principalmente nas de natureza política, que possam ser interpretadas com criticas ao seu Partido.
A autoridade que advêm da sua honrosa assumpção como comunista, juntamente com a projecção internacional que tem devido ao facto de ser um Prémio Nobel, dão-lhe uma autoridade, que a experiência da sua idade consolida.
Como tal, numa circunstância destas, exigir a expulsão de hipotéticos camaradas seus, que nas circunstâncias se tenham excedido, devia ter-lhe merecido uma maior reflexão, na expressão do seu repúdio.
O resultado que o comportamento dos intervenientes teve na circunstância devia ter merecido da sua parte para além do compreensível e justificado repudio, uma palavra de advertência no sentido de demonstrar o prejuízo que era para a causa dos trabalhadores, comportamentos semelhantes.
Tal atitude, alem de indiscutivelmente pedagógica, teria como consequência permitir uma estimulante reflexão e um motivo de aperfeiçoamento, para todos aqueles que fazem na vida a sua escola e dos mais consequentes militantes do Partido, o seu exemplo.

NOTA COMPLEMENTAR –
Li hoje uma crónica de Constança Cunha e Sá sob o titulo “Causas e Consequências “
“Uma Triste Farsa” onde aborda “ do alto do seu convencido estatuto, os problemas que a populaça levanta, a pessoas da sua igualha” .
Aborda a questão Vital Moreira com uma humilhante dose de ironia e que justifica perfeitamente o meu texto anterior.
Se tiver tempo e paciência, como eu tive, pode ler esse texto AQUI

4 comentários:

Isaura disse...

Sábias reflexoões, meu camarada. Concordo plenamente com tudo quanto escreveste acerca deste lamentável episódio. Mais uma vez um bom trabalho do teu "olhar à esquerda".

Um beijo
Isaura

José Augusto Nozes Pires disse...

Assino por baixo. Admoestação severa sim, expulsão não. Quanto ao candidato Vital Moreira é arrogante, pedante e provocador.

Jorge Humberto Hilário disse...

Subscrevo inteiramente o artigo!
Nunca pensei que o PS utilizasse golpes tão baixos para atingir os seus objectivos! É inacreditável! De facto os 130 assessores têm que justificar o que é que lá estão fazer??? O Freeport, a Crise, a Campanha apagada e trapalhona do Vital e a provocação na última quinta-feira com a retirada de Pendões da CDU na Avª da Liberdade por gente ligada á UGT/PS, tinham que ter por parte deles resposta! E se não tivesse o efeito pretendido lá estava a "bomba" no 1º de Maio da UGT!... É incrível como ardilosamente se tenta manipular as pessoas. Quanto ao Saramago o que posso aconselhar é que se trate, deve estar doente!

Carlos disse...

Tal como eu suspeitava, os acontecimentos foram preparados ao milímetro. A direcção do PS e Vital Moreira antecipavam o que se iria passar, foi pena que alguns tivessem mordido o isco, deram armas ao adversário. Alguém sabe alguma coisa sobre o suposto militante do BE que supostamente apareceria nas agressões ao Vital Moreira. Quem me diz a mim que eles também não estariam na jogada da provocação, montada de modo a colar o rótulo de extremista ao PCP e à CGTP?
É evidente que o PCP não tem nada de pedir desculpas formais ao PS até por uma questão de inteligência, quer dizer então iriam admitir que tinham a ver com o assunto tal como eles [PS] afirmam.
A atitude do Saramago deixa-me confundido ao ponto de pensar se ele não estará a obedecer a outros interesses, nomeadamente de marketing do seu estatuto de escritor premiado com Nobel. Prefiro pensar que ele esteja a ser ingénuo neste ponto específico.