Mensagem

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terça-feira, 5 de março de 2013

CARTA ABERTA 
A PAULO DE MORAIS
Com o título “Marginais de sábado” publicou o “Correio da Manhã” um texto de Paulo de Morais, que caracteriza e analisa a dramática situação em que se encontra Portugal, na base da qual esteve a esmagadora manifestação do passado sábado. 
No entanto o texto termina com uma frase ambígua, que o jornal destaca em caixa e se presta a muitas interpretações.
«Os verdadeiros marginais no sábado – foram os partidos, a classe política, os sindicatos e todas as outras estruturas orgânicas do regime.»
 Nenhuma daquelas considerações, será capaz de ajudar o leitor desprevenido ou despolitizado, a considerar os sindicatos e os partidos como formas organizativas indispensáveis das populações e dos trabalhadores, essenciais no sentido de defender os seus interesses de classe.
Bastar-lhe-ia do ponto de vista histórico, por exemplo, avaliar a influência que a organização dos trabalhadores em sindicatos teve na evolução da sociedade e contabilizar o efeito que o colectivo sindical potenciou, através da organização dos trabalhadores nas suas lutas reivindicativas, constituindo o factor fundamental das suas vitórias.
Hoje é fácil olhar para o panorama das relações de trabalho e determinar quanto é justo ou injusto este ou aquele problema nas relações de produção.
Se os trabalhadores não se tivessem organizado em sindicatos, qual seria o panorama das lutas actuais contra o poder patronal, sobretudo nas grandes empresas multinacionais, neste tempo de primazia do poder financeiro sobre o político?
Custa-nos que um homem culto, com uma intenção clara de denunciar a corrupção e as injustiças de que a maioria esmagadora dos portugueses está a ser vítima, não tenha percebido a necessidade e sobretudo a importância de que se revestem essas organizações.
Sabemos das poderosas capacidades e motivações que capital financeiro se serve, para a obtenção de privilégios para as elites dominantes. É uma complexa e por vezes obscura questão, que confunde muito o valor das coisas.
Mas um homem lúcido e culto como Paulo Morais, com a visão da sociedade, múltiplas vezes demonstrada nas palavras escritas, não perceber a importância e a necessidade da militância partidária, particularmente dos comunistas, na criação de uma sociedade mais justa e equitativa, converte a consideração que os seus escritos nos merecem, numa suspeição sobre as reais motivações que se escondem, por detrás das suas justas considerações.
Bastaria uma breve reflexão da sua parte, sobre o espírito de sacríficio, perseverança, identidade de princípios e tenacidade, que leva os militantes comunistas, a sacrificarem até a vida pelos seus ideais, para lhe merecer um discernimento mais correcto.
Diz o extraordinário presidente da República do Uruguai, Pepe Mujica:
“Que seria deste mundo sem militantes?
Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super homens e não se equivoquem.
Não é isso.
 É que os militantes não vêm para buscar o seu, vem entregar a alma, por um punhado de sonhos.
Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende fundamentalmente que exista gente que se sinta feliz em gastar sua vida ao serviço do progresso humano.


Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício. É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente”.
 

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