Mensagem

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terça-feira, 5 de junho de 2012


                    RESPOSTA AO                  
  PROFESSOR DOUTOR JÚLIO MACHADO VAZ 

Este texto nasceu na necessidade de clarificar algum desfasamento entre o que pensamos e o que disse o Professor Doutor Júlio Machado Vaz, sobretudo no início do programa da Antena 1 do passado Domingo “O AMOR É".
Começo por dizer que tenho uma especial simpatia por este ilustre psicólogo, que ouço quase todos os dias na Rádio, cuja superior capacidade intelectual reconheço e com quem muito tenho aprendido, sobretudo ao nível das relações pessoais.
O tema que escolheu, em conjunto com a sua inteligente e jovial assistente Inês Menezes, baseou-se principalmente num texto do Padre Anselmo Borges, que após uma pequena busca cheguei á conclusão que era o “O TEMPO DIGITAL E O SEU FRENESIM” e que foi publicado no Diário de Notícias no passado dia 26 de Maio.
Para melhor compreensão do meu desacordo, só vou comentar o que disse o Professor Júlio Machado Vaz, depois de analisar alguns dos principais conceitos do Padre Anselmo Borges e que o senhor Professor adoptou para tema inicial da sua dissertação, dando de barato que não avaliou completamente o grave conteúdo reaccionário, que estava subjacente à totalidade do texto que utilizou como referência.
 Faço-o também, para tornar mais compreensível os fundamentos da minha discordância, que se esgotou poucos minutos depois do senhor professor iniciar a conversa, logo que rapidamente deixou de referir o que disfarçadamente ideológico tinha o artigo e passou à análise psicológica dos argumentos nele invocados.
Percebi que as principais preocupações do senhor professor procurou dar em todo o programa, tinham a ver com os problemas que que a tecnologia e a vida acelerada dos dias de hoje, cria na correcta fruição da vida, em todas as suas dimensões.
 Comecemos por escalpelizar então o artigo do padre Anselmo Borges, que serviu de tema ao programa:
Dizia o texto do DN: “Fazemos muito mais coisas em muitíssimo menos tempo. Vem então a pergunta da semana passada, aqui: porque é que todos se queixam da falta de tempo, em vez de aumentar o tempo livre?”
Interrogo-me sobre que estranha minoria,  estaria a falar o padre Anselmo Borges.
Sabendo as consequências que no mundo do trabalho tem a flexibilização de horários, os sucessivos aumentos da carga horária, a diminuição dos dias feriados, a criação do banco de horas que se abate sobre os trabalhadores portugueses, que ainda vão tendo o “privilégio” de trabalhar, muito e barato…de quem estaria a falar???
Não me passa pela cabeça que se referisse à parcela dos desempregados, pensionistas e reformados, porque isso era indigno de um ministro de Deus!!!
Posso concluir, generosamente, que o senhor padre quando diz que “todos se queixam de falta de tempo, em vez de aumentar o tempo livre? está a falar de um reduzido núcleo de pessoas especiais, que nos dias de hoje, sendo ainda privilegiados com empregos ou rendimentos sólidos, “se vão das leis da crise ….libertando”  e esses sim podem nas preocupações do senhor padre, terem preocupações em preencher os ócios.
Aproveitamos para lhes sugerir gratuitamnete,  que no tempo que lhes sobeja, viajem até ao Dubai,  à Polinésia, façam compras em Londres ou Nova Iorque, ou para melhorar o físico pratiquem equitação, joguem golf, ténis,  ou em alternativa  canasta ou bridge se os  físicos forem mais débeis.
Resposta do sociólogo Hartmut Rosa: com os transportes e a Internet também se acelerou a vida social e entrámos numa lógica infernal de competição, de tal modo que somos devorados pelo produtivismo e consequente consumismo”.
Há nestas afirmações várias omissões, quando se limita aos transportes e à Internet, a problemática da vida social e se consomem nestas duas exclusividades o “produtivismo” e o “consumismo”, a menos que esteja a referir-se às sugestões deste site inspirador do “modo como é devorado pelo produtivismo e consequente consumismo “ das classes privilegiadas, de quem parece ser distinto e certamente favorito padre confessor.
Bom era, que toda a problemática do “produtivismo e consumismo” se resumissem à lógica infernal dessa dicotomia e nela não houvesse que equacionar a distribuição das mais-valias, produzidas pelos trabalhadores, questão que vem há séculos a inquinar as “Relações de Produção”, no “Mundo do Trabalho”.
Se alguma dúvida existia sobre o alvo base dos seus raciocínios, “a competição, produtividade e consumismo” tem nele, no Neoliberalismo e na Globalização (quando abrir este site o texto está depois do power point)  as palavras de ordem, que mantêm o “satus quo”  do capitalismo financeiro, especulador e explorador.
Desde sempre, essas e outras regras das hierarquias religiosas, sobretudo católicas, tem sofrido atropelos e dado azo a grandes lutas por parte dos trabalhadores, para alterar os “Modo de produção” de maneira a que a indesejada fruição abusiva do Capital seu aliado preferencial, evolua no sentido  de caminhar para que finalmente se possa dizer, que terminou a exploração do homem pelo homem.
“Isto tem consequências também na economia? Investir implica uma vivência do tempo longo: quanto tempo leva para se receber os frutos do investimento? Assim, "o marketing substituiu a deliberação política, com a finalidade de lucros especulativos", escreve o filósofo B. Stiegler. A velocidade tecnológica foi posta ao serviço da guerra económica: em vez do investimento, a especulação.”
Apesar de se servir do testemunho de intelectuais de elevada craveira (teórica!!!) torna-se curioso, como define a lógica de “Investir implica uma vivência do tempo longo: quanto tempo leva para se receber os frutos do investimento? “.
Aí mergulha a moral dos escabrosos aproveitamentos que se fazem da exploração do trabalho.
Admitindo com toda a naturalidade, o facto de investir, justifica a apropriação das mais valias produzidas pelo trabalho dos outros, atribuindo a uma classe social parasitária e exploradora, o direito a ser premiada com o resultado do prejuízo e sacrifício dos produtores.    
E mais adiante:
“Multiplicou-se a dispersão inerente ao mundo do quotidiano", observa a filósofo Françoise Dastur. Afinal, mesmo se já há empresas que promovem cursos de meditação ou semanas de retiro num mosteiro, é para que os funcionários se tornem mais competitivos, no regresso ao trabalho.”
A acreditar no que fica dito, (mesmo não prescindindo de referir mais uma vez, a uma espécie de catálogo de gente ilustre)  embora saibamos que a Igreja Católica é o maior império financeiro mundial, ficámos a saber que a Igreja não contesta que os seus concorrentes imitem os seus “Retiros” e “Cursillos de Cristandade”, para alimentar os métodos e os cofres, em “Retiros” e “Cursos de Meditação”, para discutir as últimas técnicas e novidades no campo dos “Negócios”.
Sofisticada forma de expressar, qualificar e aplicar a mais elevada espiritualidade cristã, na capacidade de explorar o próximo, dando às migalhas o título de caridade, como suprema demonstração da solidariedade divina, em que eles se assumem como seus terráqueos representantes.
E termina o artigo a dizer:
“Não é, portanto, de uma nova relação mais atenta e serena com o tempo que precisamos? "Deixemos que as nossas vidas sejam guiadas por aquilo que eu chamo momentos de ressonância": o contacto com a natureza, passeando; escutando a grande música, a alma corresponde, o mesmo podendo acontecer com um grupo de amigos; diante do mar, é como se o mundo respondesse e as suas ondas fossem a respiração do mundo.”
Esta linguagem soa-me a Atsugewi  ( a língua mais estranha do mundo), pois dito por um ilustre membro da Igreja, coloca-o nos antípodas da vida do nosso martirizado povo, trabalhador e eternamente explorado .
Para concluir, em relação aos escritos deste padre, pergunto-me em que mundo vive este homem?
Quanto ao Professor Doutor Júlio Machado Vaz, as questões são de outra natureza:
Concorda o Professor Machado Vaz, com o padre Anselmo Borges quando aquele diz:    
“Como hoje andamos nesta luta frenética para ganhar tempo e como nos queixamos sempre da falta de tempo, mas logo em seguida acrescenta: Em princípio isso não deveria ter acontecido, nós deveríamos agora ter muito mais tempo. Estamos a falar de tempo dos relógios”.
Nós aqui atrever nos-íamos a perguntar se será novidade para si, que sociólogos soviéticos concluíram que 2.000 horas de trabalho era o suficiente para um ser humano compensar a Sociedade dos encargos que ela tem com cada individuo.
Houve uma altura em que com toda a lógica havia muitos discursos optimistas dizendo “o nosso tempo de ócio (sem conotação pejorativo), ócio não no sentido da preguiça, mas no sentido nobre dos antigos, tempo de pensar, ir ao cinema, etc.
Em que se dizia através da tecnologia os nossos tempos livres vão aumentar exponencialmente porque as máquinas vão fazer as coisas mais depressa e as mais da vezes até fazem as coisas em vez de nós, portanto nós passamos a ter muito mais tempo livre.
E foi uma ilusão absoluta.
Nós já temos uns anos largos de sociedade tecnológica e cada vez nos queixamos mais de ter pouco tempo”.
Mais adiante o professor interroga-se:
“A tecnologia para que serviria?
Serviria para nos ajudar nas mossas tarefas, basicamente no nosso trabalho e portanto libertar-nos-ia mais para os hobbys, para a arte, para tudo o que você possa imaginar.”
Nisto tem toda a razão, Professor Júlio Machado Vaz.
A partir daqui Professor Júlio Machado Vaz, seriam trágicas as consequências dos efeitos científicos e tecnológicos na nossa vida pessoal, na medida em que tornava irrealizável passar a fazer parte dos “nossos hobbys e muitas vezes das nossas dependências e portanto você utiliza como trabalho e depois fica lá em tempo livre.”

A QUESTÃO CENTRAL DE TODOS ESTES PROBLEMAS, NÃO SÃO ABORDADOS QUER PELO PADRE ANSELMO BORGES, QUER PELO PROFESSOR JÚLIO MACHADO VAZ.

A QUESTÃO CENTRAL É O APROVEITAMENTO QUE O CAPITALISMO FAZ DA APROPRIAÇÃO DAS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS, DA ROBÓTICA, DA INFORMÁTICA E DOS MEIOS DE PRODUÇÃO TECNOLÓGICOS, PARA AUMENTAR A BOLSA DO DESEMPREGO, DIMINUIR SALÁRIOS, ARRASAR AS CONDIÇÕES DE VIDA DOS TRABALHADORES, COLOCANDO-OS NA POSIÇÃO DE MENDIGOS DE POSTOS DE TRABALHO, COM AS CONSEQUENTES SEQUELAS.

A INFORMÁTICA, A ROBÓTICA, E OS AUTOMATISMOS, NAS MÃOS DOS CAPITALISTAS, DÃO-LHE O PODER DE DETERMINAR A SOBREVIVÊNCIA DOS TRABALHADORES, PACIFICANDO A SITUAÇÃO, COM MIGALHAS , SEMPRE QUE OS RISCOS DE UMA REVOLTA  SE TORNEM MAIS EVIDENTES.

ESTE É QUE É O PROBLEMA.

ESTA É QUE É A VERDADE!!!

E MAIS UMA VEZ, PARA SE AVALIAR OS PERIGOS QUE ENFRENTAMOS COM A GLOBALIZAÇÃO, LEMBRAMOS-LHE  QUE  HÁ UM LINK NO CABEÇALHO DESTE BLOGUE, QUE O LEVA AO DOCUMENTO QUE DENÚNCIA  O CONCEITO DO CAPITALISMO,  CONSIDERAR QUE SÓ 2/10 DA POPULAÇÃO SÃO NECESSÁRIOS PARA PRODUZIR O QUE É PRECISO .
OS OUTROS 8/10 ESTÃO A MAIS E PODEM MORRER QUE NÃO FAZEM FALTA.

1 comentário:

José Freitas disse...

Um programa recente da SIC Notícias disse mentiras sobre o caso «Equador», que tem partes copiadas de «Cette nuit la liberté».
MST é um «moralista» anti-Esquerda, refiro-me a Esquerda de facto e não a esquerda troikista.
A Censura anda muito activa nos comentários dos blogs. Espero que deixe passar este comentário.
Em www.anticolonial21.blogspot.com está a verdade inconveniente sobre a cópia de partes de «Cette nuit la liberté» por Miguel Sousa Tavares para o livro «Equador».